Todo ano, quando as chuvas apertam em Manaus, a dengue volta a assustar. E a pergunta que mais chega é sempre a mesma: como sei que é dengue e não uma gripe forte? Os sintomas mais comuns são febre alta de início repentino (39°C a 40°C), dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores no corpo e nas articulações, fraqueza e, em parte dos casos, manchas vermelhas na pele. Se você tiver febre acompanhada de pelo menos dois desses sinais, procure atendimento.
O ponto mais importante deste texto vem antes de tudo: a maioria dos casos de dengue melhora com repouso, hidratação e acompanhamento, mas existe uma fase em que o quadro pode piorar de repente. Saber reconhecer os sinais de alarme é o que separa um susto de uma emergência. Vamos por partes, sem susto e sem enrolação.
Quais são os sintomas da dengue?
Os sintomas costumam surgir entre 4 e 10 dias após a picada do mosquito infectado, e o quadro começa de forma abrupta. Do nada, a pessoa amanhece com febre alta (entre 39°C e 40°C) e uma sensação de corpo moído. Os sinais clássicos são:
- Febre alta repentina, o sintoma que quase sempre abre o quadro.
- Dor de cabeça forte, muitas vezes com dor atrás dos olhos (piora ao mexer os olhos).
- Dores musculares e nas articulações, aquela dor no corpo inteiro.
- Fraqueza e prostração, vontade de ficar deitado.
- Náusea e perda de apetite.
- Manchas avermelhadas na pele, que podem aparecer em parte dos casos.
É fácil confundir com uma virose no começo. A diferença costuma estar na intensidade: a dor no corpo da dengue é marcante, a dor atrás dos olhos é bem característica e a febre começa de forma súbita. Na dúvida, quem define é a avaliação médica.
Dá para ter dengue mais de uma vez?
Dá, e isso pega muita gente de surpresa. Existem quatro sorotipos do vírus da dengue: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Ter tido a doença por um deles deixa proteção contra aquele sorotipo, mas não protege contra os outros três. Por isso a mesma pessoa pode pegar dengue mais de uma vez ao longo da vida.
Esse detalhe importa porque uma nova infecção, por um sorotipo diferente, está associada a maior risco de formas graves. Ou seja: já ter tido dengue não é motivo para baixar a guarda, é motivo para redobrar a atenção aos sinais de alarme.
Como a dengue é transmitida?
A dengue não passa de pessoa para pessoa. A transmissão acontece exclusivamente pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada. O ciclo é simples: o mosquito pica alguém que está com o vírus, fica infectado e passa a transmitir a cada nova picada.
Esse mosquito tem hábitos bem conhecidos. Ele pica mais durante o dia, no começo da manhã e no fim da tarde, e vive perto das casas. O detalhe que muda tudo: ele se reproduz em água parada. Um pratinho de planta, uma tampa de garrafa, a calha entupida, o pneu velho no quintal. Qualquer recipiente com água acumulada vira um criadouro.
Em Manaus, esse cuidado é o ano inteiro, mas pesa mais na temporada de chuvas. O clima quente e úmido da região amazônica é ambiente perfeito para o mosquito, e o volume de chuva enche recipientes esquecidos pela cidade.
Quais são os sinais de alerta da dengue?
Essa é a parte que ninguém pode ignorar. Os sinais de alarme costumam aparecer entre o terceiro e o sétimo dia, geralmente quando a febre começa a baixar. É um momento traiçoeiro: a pessoa acha que está melhorando porque a febre cedeu, mas é justamente aí que o quadro pode se agravar. Procure atendimento imediato se surgir qualquer um destes:
- Dor abdominal intensa e contínua.
- Vômitos persistentes, que não param.
- Sangramento: nariz, gengiva, urina ou fezes.
- Tontura, desmaio ou sensação de queda de pressão.
- Dificuldade para respirar.
- Sonolência excessiva, irritabilidade ou confusão mental.
- Extremidades frias ou pele úmida e pegajosa.
Se algum desses sinais aparecer, não espere: vá a um serviço de saúde na hora. A maior parte das mortes por dengue é evitável, e o que faz diferença é chegar cedo ao atendimento. Crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e quem tem imunidade baixa devem ser acompanhados desde o início dos sintomas.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico parte da avaliação clínica e do contexto epidemiológico, e pode ser confirmado por exames de laboratório, que variam conforme o tempo de doença. Nos primeiros dias, usam-se testes que detectam o vírus, como o antígeno NS1 ou o RT-PCR. Depois desse período, os exames sorológicos passam a ser mais úteis.
Exames de sangue também ajudam a avaliar a gravidade, principalmente pelo acompanhamento do hematócrito e da contagem de plaquetas. Quem indica qual exame e em que momento é o profissional que atende você.
Como prevenir a dengue em casa?
A prevenção mais eficaz continua sendo eliminar os criadouros do mosquito, ou seja, acabar com a água parada. Não tem mistério, é rotina de casa:
- Vire ou guarde recipientes que juntam água: baldes, bacias, garrafas, latas.
- Tampe bem caixas d’água, tonéis e cisternas.
- Coloque areia nos pratos dos vasos de planta ou tire a água acumulada.
- Limpe calhas, ralos e lajes, onde a água empoça sem ninguém ver.
- Descarte pneus, entulho e lixo que possam acumular água da chuva.
- Troque a água de bebedouros de animais com frequência.
- Use repelente, roupas que cubram mais o corpo e telas em portas e janelas.
Vale registrar: o Ministério da Saúde também cita a vacina contra a dengue entre as medidas de prevenção disponíveis no país, dentro dos grupos e faixas etárias definidos pelas autoridades de saúde. Ela não substitui o combate ao mosquito: as duas coisas caminham juntas, e quem avalia a indicação para cada pessoa é o profissional de saúde.
Quando procurar atendimento médico?
A regra é direta: com febre e dois ou mais sintomas de dengue, já vale procurar um serviço de saúde para avaliação. Não é preciso esperar piorar. E se qualquer sinal de alarme aparecer, o atendimento passa a ser urgente, mesmo que a febre já tenha diminuído.
Enquanto isso, o cuidado em casa é repouso e muita hidratação. Um ponto de segurança que o Ministério da Saúde reforça: não tome remédios por conta própria. Medicamentos com ácido acetilsalicílico (AAS) e a maioria dos anti-inflamatórios devem ser evitados, porque aumentam o risco de sangramento. Quem indica o que tomar é o profissional que avaliar você.
Quanto tempo duram os sintomas da dengue?
Na maioria dos casos, a fase aguda dura de 2 a 7 dias. Depois, a febre cede aos poucos, mas é comum ficar um período de cansaço, fraqueza e indisposição que pode se estender por mais alguns dias ou semanas. Repouso e hidratação seguem sendo a base da recuperação.
E vale repetir, porque salva vida: o período de maior risco é justamente quando a febre começa a baixar. Mesmo com aparente melhora, siga atento aos sinais de alarme.
Onde tirar dúvidas na Vacinar
A dengue é combatida no dia a dia, dentro de casa e no quintal, e reforçada pelo cuidado com a saúde da família. Se você quer entender quais vacinas fazem parte do calendário de cada idade, dá uma olhada no calendário de vacinação completo ou nas vacinas para cada fase da vida.
Ficou com dúvida sobre a caderneta da família? Fale com a nossa equipe pelo WhatsApp, que a gente orienta com calma. Você também pode mandar uma foto da caderneta, e a enfermagem confere o que está em dia. Na clínica, o atendimento é por ordem de chegada, sem burocracia. E se preferir se vacinar no conforto da sua casa, fazemos o atendimento domiciliar com hora marcada.
Fontes: Dengue · Ministério da Saúde · SBIm reforça importância da vacinação na temporada de dengue
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação individual de um profissional de saúde. Diante de febre ou sinais de alarme, procure um serviço de saúde.