Bronquiolite em bebês: como proteger desde os primeiros meses

A bronquiolite é causada quase sempre pelo VSR e assusta famílias em Manaus. Veja como proteger o bebê, os sinais de alerta e quando ir ao pronto-socorro.

· Equipe Vacinar · Revisão técnica: Vanessa de Paula Bahia Marinho, enfermeira responsável técnica (COREN-AM 431.725)

Começou como um resfriadinho: coriza, tosse, um pouco de febre. Aí o bebê passou a respirar mais rápido, começou um chiado no peito e a família se assustou. Essa é uma das cenas que mais chegam na recepção da Vacinar, e o nome por trás dela costuma ser bronquiolite.

A bronquiolite é uma inflamação das vias aéreas mais finas do pulmão e, na esmagadora maioria das vezes, é causada por um vírus chamado VSR, o vírus sincicial respiratório. Ela é uma das principais causas de internação por infecção respiratória em bebês, especialmente no primeiro ano de vida. A boa notícia é que hoje existe como proteger o bebê antes mesmo de ele adoecer, e é disso que este texto trata.

Um detalhe que confunde muita gente: a proteção contra o VSR não vem de uma vacina aplicada no próprio bebê no esquema clássico. Ela chega por dois caminhos diferentes, que a gente explica abaixo.

O que é bronquiolite e o que causa?

Bronquiolite é a inflamação dos bronquíolos, os canais bem pequenos que levam o ar até o fundo do pulmão. Quando eles incham e acumulam secreção, o ar passa com dificuldade, e é daí que vem o chiado, o esforço para respirar e a dificuldade para mamar.

A doença atinge principalmente crianças menores de 2 anos, sendo mais frequente e potencialmente mais grave nos primeiros 6 meses de vida, em prematuros e em bebês com doenças do coração ou do pulmão.

O agente mais comum, de longe, é o VSR. Outros vírus respiratórios também podem provocar o quadro, como rinovírus, metapneumovírus, influenza, parainfluenza e adenovírus, mas com menos frequência. Por ser uma infecção viral, antibiótico não faz parte do tratamento de rotina: ele só entra quando há suspeita de uma infecção bacteriana associada, o que quem avalia é o médico.

Como o VSR é transmitido?

O VSR se espalha pelas gotículas eliminadas na tosse, no espirro e na fala, e também pelo contato com mãos e superfícies contaminadas. Um ponto que pouca gente sabe: o vírus continua viável por algumas horas em objetos e brinquedos, então a contaminação nem sempre vem de alguém tossindo perto do bebê.

Por isso as medidas simples continuam valendo muito: lavar as mãos com frequência, limpar superfícies e brinquedos e evitar o contato do bebê com quem está gripado. Em Manaus, os vírus respiratórios circulam o ano todo, com reforço nos períodos de chuva, então não existe uma “época segura” para relaxar com o bebê muito novo.

Quais são os sintomas de bronquiolite no bebê?

Os primeiros sintomas aparecem entre 4 e 6 dias após a infecção e quase sempre começam parecendo um resfriado comum, piorando ao longo dos dias seguintes. Os sinais mais frequentes são:

  • Coriza e congestão nasal
  • Tosse
  • Febre baixa ou moderada
  • Chiado no peito (aquele barulhinho ao respirar)
  • Respiração acelerada
  • Dificuldade para mamar ou se alimentar
  • Irritabilidade e cansaço

Na maior parte das crianças, os sintomas atingem o pico entre o terceiro e o quinto dia e melhoram aos poucos ao longo de uma a duas semanas. A tosse costuma ser a última a ir embora e pode persistir por mais tempo, o que é normal.

Quando levar o bebê ao pronto-socorro?

Existem sinais de alerta que pedem avaliação médica imediata, sem esperar para ver se melhora. Procure atendimento se o bebê apresentar:

  • Respiração muito rápida ou dificuldade importante para respirar
  • Afundamento das costelas a cada respiração ou movimentação intensa da barriga
  • Pausas na respiração (apneia)
  • Lábios ou pontas dos dedos arroxeados
  • Recusa alimentar: para de mamar ou mama muito pouco
  • Redução importante da urina (fralda seca por horas)
  • Sonolência excessiva ou dificuldade para acordar

Recém-nascidos, prematuros e crianças com doenças do coração, do pulmão ou com imunidade baixa devem ser avaliados cedo, mesmo com sintomas leves. Na dúvida, é melhor ir e ser tranquilizado do que esperar: bebê pequeno pode piorar rápido.

Existe vacina ou anticorpo contra o VSR?

Sim, e aqui está o ponto mais importante. A proteção do bebê vem por duas vias, e nenhuma delas é uma vacina aplicada diretamente no bebê no calendário comum:

  • Vacina na gestante (imunização materna): aplicada na grávida, faz o corpo dela produzir anticorpos que atravessam a placenta e chegam ao bebê ainda na barriga, deixando ele já nascer protegido. A SBIm recomenda dose única a partir da 28ª semana de gestação, e na prática muitos serviços concentram a aplicação entre a 32ª e a 36ª semana, para que a proteção alcance o pico justamente no nascimento. O momento certo é definido no pré-natal.
  • Anticorpo monoclonal para o bebê (nirsevimabe): não é uma vacina, é um anticorpo pronto, aplicado no próprio bebê, com proteção imediata. É indicado em dose única para lactentes de até 8 meses, e crianças de grupos de risco podem ter indicação dos 8 aos 23 meses, na segunda temporada de circulação do vírus.

Ou seja: se a mãe se vacinou a tempo, o bebê já vem com anticorpos. Se não deu tempo, ou se o caso pede reforço, entra o nirsevimabe. Quem define qual via faz sentido para o seu caso é a avaliação individual, olhando a caderneta da gestante, a idade do bebê e fatores de risco.

Como prevenir a bronquiolite no dia a dia?

Além da imunização, alguns hábitos reduzem bastante o risco de infecção:

  • Manter a vacinação da gestante e da criança em dia
  • Higienizar as mãos com frequência, principalmente antes de pegar o bebê
  • Evitar contato do bebê com pessoas com sintomas respiratórios
  • Evitar a exposição à fumaça de cigarro, que agrava quadros respiratórios
  • Manter os ambientes ventilados
  • Incentivar o aleitamento materno, que ajuda a proteger contra várias infecções respiratórias

Como é o tratamento da bronquiolite?

Não existe remédio que elimine o VSR. Na maioria dos casos, o tratamento é de suporte: hidratação, lavagem nasal com soro fisiológico, controle da febre quando necessário e acompanhamento clínico. Manter o narizinho limpo faz mais diferença do que a maioria das famílias imagina, porque o bebê depende dele para mamar e respirar.

Nos casos graves, pode ser necessária internação para oxigênio, suporte respiratório e hidratação na veia. É justamente para evitar esse desfecho que a prevenção pesa tanto.

Como se proteger na prática, na Vacinar

A proteção contra o VSR se organiza em dois momentos, e o ideal é pensar nisso ainda na gestação: a imunização da gestante no pré-natal e, conforme a idade e os fatores de risco, o nirsevimabe no bebê.

Na Vacinar, o atendimento na clínica é de porta aberta, por ordem de chegada, sem precisar marcar horário. Se preferir a comodidade de resolver em casa, dá para vacinar no conforto da sua casa, com hora marcada, o que costuma tranquilizar famílias de recém-nascido. Para saber o que mais o bebê deve tomar nesses primeiros anos, veja o calendário do bebê sem mistério e as vacinas para cada fase da vida.

Uma observação importante: a disponibilidade da imunização do VSR pode variar semana a semana, e a gente não promete o que pode não ter no dia. O caminho mais simples é mandar uma mensagem pelo WhatsApp para confirmar o que está disponível e tirar suas dúvidas antes de vir.

Fontes: Vacinas VSR · Família SBIm · Nirsevimabe · Família SBIm

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação individual de um profissional de saúde. A indicação da proteção contra o VSR depende da idade do bebê, da caderneta da gestante e de fatores de risco.

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