Apareceu uma faixa avermelhada com bolhas de um lado só do corpo, com ardência e uma dor que não parece de pele. Na recepção da Vacinar a pergunta chega quase sempre assim: “isso aí é cobreiro?”. Herpes zóster, o popular cobreiro, é a volta do mesmo vírus da catapora, que ficou adormecido no corpo por décadas. E existe vacina pra isso: duas doses, com intervalo de dois meses, indicada a partir dos 50 anos.
O que muita gente desconhece é que o maior problema do zóster nem sempre são as bolhas: é a dor que pode ficar depois que a pele já sarou, chamada de neuralgia pós-herpética. Para o panorama de todas as vacinas dessa fase, vale ler as vacinas indicadas depois dos 60. Aqui, vamos por partes só no zóster.
O que é herpes zóster (cobreiro)?
Herpes zóster é a reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo agente que causa a catapora. Segundo o Ministério da Saúde, depois da catapora o vírus não vai embora: ele se instala em gânglios nervosos próximos à medula espinhal e permanece latente pela vida toda.
Quando a imunidade cai, o vírus se reativa e caminha pelo trajeto de um nervo. Por isso o quadro é tão característico: as lesões aparecem em faixa, quase sempre de um lado só do corpo, na área que aquele nervo cobre. Tronco, costas e rosto são as regiões mais comuns.
Quem já teve catapora pode ter herpes zóster?
Sim, e essa é a informação central: só tem zóster quem já teve contato com o vírus da catapora. Não é uma doença nova que se pega de alguém, é um vírus antigo, que já estava no corpo, voltando à ativa.
Isso coloca a maior parte dos adultos brasileiros no grupo de quem carrega o vírus: quem nasceu antes de a vacina da varicela entrar na rotina infantil teve catapora com altíssima probabilidade. Não lembrar de ter tido catapora não significa que você não teve. Mais raramente, quem tomou a vacina de vírus vivo atenuado da catapora também pode apresentar essa reativação.
Quais são os primeiros sintomas do herpes zóster?
Na maioria dos casos, a dor vem antes das bolhas. O Ministério da Saúde descreve como sinais que antecedem as lesões de pele:
- Dores nevrálgicas, ou seja, dor no trajeto do nervo, em pontada ou queimação.
- Parestesias: formigamento, sensação de agulhadas, dormência.
- Ardor e coceira localizados, sempre numa região delimitada.
- Febre, dor de cabeça e mal-estar, que podem acompanhar o quadro.
Só depois surgem as vesículas agrupadas sobre a pele avermelhada, e o intervalo entre a dor e a erupção costuma ser de alguns dias. É aí que mora a confusão: no calor e na umidade de Manaus, ardência e coceira num ponto do corpo são atribuídas quase automaticamente a alergia, brotoeja ou picada de inseto. Diante de dor em faixa de um lado só, com ou sem bolhas, a avaliação médica precisa ser rápida.
O que é neuralgia pós-herpética?
É a dor que continua depois que as lesões da pele já cicatrizaram. O Ministério da Saúde a define como dor persistente por quatro a seis semanas após a erupção, resistente ao tratamento. Em parte dos pacientes ela se arrasta por meses.
É a complicação mais temida do zóster, e o risco cresce muito com a idade: é pouco frequente antes dos 60 anos e vai ficando mais comum a partir daí, sendo maior também em quem tem a imunidade comprometida. Não é um incômodo pequeno: é dor crônica, que interfere no sono, no humor e no trabalho. Por isso a vacinação é discutida como prevenção de dor crônica, não só de uma lesão de pele passageira.
Herpes zóster tem cura?
O episódio tem resolução: as lesões cicatrizam em algumas semanas e o quadro agudo passa. Mas o vírus não é eliminado do organismo. Depois da crise ele volta ao estado latente nos gânglios nervosos, o que significa que um novo episódio é possível no futuro.
Ou seja, ter tido cobreiro uma vez não dá passe livre. O tratamento do episódio agudo é sempre definido por um médico.
Quem tem mais risco de ter herpes zóster?
O gatilho é a queda da vigilância imunológica. Os grupos de maior risco são:
- Pessoas a partir dos 50 anos, faixa em que a imunidade celular contra o vírus naturalmente diminui, e o risco segue subindo com a idade.
- Pacientes imunossuprimidos: transplantados, pessoas em tratamento oncológico, quem usa imunossupressores ou corticoide em dose alta.
- Pessoas vivendo com HIV.
- Portadores de doenças crônicas, como diabetes e doenças autoimunes.
- Quem passa por estresse intenso ou queda importante do estado geral.
A partir de que idade dá pra tomar a vacina do herpes zóster?
A vacina herpes-zóster recombinante inativada é indicada pela SBIm para pessoas a partir dos 50 anos e, de forma antecipada, para imunocomprometidos ou pessoas com risco aumentado de herpes zóster a partir dos 18 anos.
São dois critérios diferentes: idade ou condição de saúde. Um adulto de 35 anos em tratamento imunossupressor pode ter indicação, enquanto a pessoa saudável entra pela porta dos 50. Nos ensaios clínicos de fase 3 que embasam a recomendação (ZOE-50 e ZOE-70), a eficácia contra a doença ficou acima de 90% e se manteve alta também depois dos 70 anos, o que é incomum entre vacinas nessa faixa etária. A SBIm registra que a eficácia da vacina inativada é superior à da vacina atenuada.
Quantas doses tem a vacina do herpes zóster e qual o intervalo?
São duas doses, com intervalo de dois meses, aplicadas por via intramuscular. É esse o esquema recomendado pela SBIm, e completar as duas doses é o que garante a proteção descrita nos estudos: uma dose só não fecha o esquema.
Se a segunda dose atrasou, não é preciso recomeçar. A lógica é a mesma de qualquer outra vacina: dose dada é dose contada, e o esquema é retomado de onde parou. Tem mais detalhe sobre isso no artigo sobre vacinas em atraso e como recuperar o esquema.
Quem já teve herpes zóster deve tomar a vacina mesmo assim?
Sim. Ter tido um episódio não substitui a vacinação, porque o vírus continua latente e pode reativar outra vez.
Sobre o momento certo, a SBIm registra que não existe intervalo obrigatório após o episódio agudo: a sociedade sugere aguardar cerca de seis meses, mas esse período pode ser encurtado pra não perder a oportunidade de vacinar. Na prática, quem define é a avaliação profissional.
Quem é imunossuprimido pode tomar a vacina do herpes zóster?
Pode, e é justamente um dos públicos prioritários. A vacina recombinante é inativada, ou seja, não contém vírus vivo, o que a torna adequada a pessoas com imunidade comprometida, diferente das vacinas atenuadas.
O que muda é o momento da aplicação, planejado junto com o médico que acompanha o caso. A SBIm detalha situações específicas: transplantados de medula óssea costumam iniciar entre 6 e 12 meses após o transplante, receptores de órgãos sólidos idealmente se vacinam antes do procedimento, e pacientes oncológicos, quando possível, antes de começar a quimioterapia. A contraindicação formal é histórico de hipersensibilidade grave a componentes da fórmula ou a uma dose anterior.
Onde tomar a vacina do herpes zóster na Vacinar
Na clínica o atendimento é porta aberta, por ordem de chegada, sem necessidade de marcar horário. Para quem prefere não sair de casa, existe a opção de vacinar em casa, com hora marcada, com a nossa equipe de enfermagem indo até você em Manaus.
O primeiro passo não custa nada: mande uma foto da sua caderneta pelo WhatsApp, que a equipe confere com calma o que está em dia e o que falta. Se quiser conferir antes o que mais é indicado pra sua idade, veja o calendário de vacinação completo.
Uma observação honesta: a chegada de cada vacina varia semana a semana, então vale confirmar a disponibilidade pelo WhatsApp antes de se deslocar.
Fontes: Vacina herpes-zóster recombinante inativada · SBIm · Herpes (cobreiro) · Ministério da Saúde · Calendário de vacinação do idoso · SBIm
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação individual de um profissional de saúde. A indicação da vacina do herpes zóster e o melhor momento de aplicá-la dependem da avaliação do seu caso.