Vacinas na gravidez: o calendário do pré-natal, dose a dose

Quatro vacinas concentram o pré-natal: dTpa a partir da 20ª semana, gripe em qualquer trimestre, hepatite B e VSR. Veja o calendário da gestante dose a dose.

· Equipe Vacinar · Revisão técnica: Vanessa de Paula Bahia Marinho, enfermeira responsável técnica (COREN-AM 431.725)

A pergunta chega quase toda semana na recepção da Vacinar, geralmente com o cartão do pré-natal em mãos: quais vacinas eu posso tomar grávida? A resposta direta é que quatro vacinas concentram o calendário do pré-natal: dTpa, gripe, hepatite B e VSR. Nenhuma delas contém vírus vivo, e todas são consideradas seguras na gestação pela SBIm e pelo Ministério da Saúde.

Vacinar na gravidez protege duas pessoas ao mesmo tempo. A gestante ganha defesa contra doenças mais graves nesse período, e o bebê recebe anticorpos prontos pela placenta, que cobrem os primeiros meses de vida, quando ele ainda é pequeno demais pra tomar as próprias vacinas.

O que muda de uma vacina pra outra é o momento certo. Vamos por partes.

Quais vacinas a gestante deve tomar?

O calendário da gestante se apoia em quatro vacinas de rotina, e cada uma tem uma função clara:

  • dTpa (difteria, tétano e coqueluche): uma dose a partir da 20ª semana, em cada gestação.
  • Influenza (gripe): uma dose por temporada, em qualquer idade gestacional.
  • Hepatite B: três doses, no esquema 0, 1 e 6 meses, quando o esquema está incompleto ou desconhecido.
  • VSR (vírus sincicial respiratório): dose única, recomendada pela SBIm a partir da 28ª semana, em cada gestação.

Fora dessas quatro, qualquer indicação extra é decisão individual do pré-natal.

Com quantas semanas tomar a dTpa?

A dTpa é recomendada a partir da 20ª semana de gestação, em dose única a cada gravidez, e o alvo principal aqui é o bebê. A dose única vale pra quem já tem o esquema de tétano completo, com pelo menos três doses ao longo da vida. Quem tem histórico incompleto ou desconhecido completa o esquema com doses de dT ainda durante a gestação, além da dTpa.

A coqueluche é perigosa justamente nos primeiros meses de vida, e o bebê só começa o próprio esquema contra a doença aos 2 meses. A dTpa na gestação resolve essa lacuna: os anticorpos da mãe atravessam a placenta e cobrem o recém-nascido até ele poder se vacinar. Por isso não vale deixar a dose pro fim: quanto mais cedo, mais tempo o corpo tem pra produzir e transferir esses anticorpos.

Precisa repetir a dTpa a cada gestação?

Sim. A dTpa é repetida em toda gravidez, mesmo que a última tenha sido há pouco tempo.

O motivo não é a mãe, é o bebê: a transferência de anticorpos vale pra aquela gestação e não fica guardada de uma gravidez pra outra em quantidade suficiente. Cada bebê precisa da sua dose.

Se a gestação terminou e a dose não foi feita, ainda dá tempo: a recomendação é tomar a dTpa no puerpério, o quanto antes, até 45 dias após o parto. Não é o ideal, mas é muito melhor do que não tomar.

Gestante pode tomar vacina da gripe?

Pode, e deve. A vacina da gripe é indicada em qualquer trimestre, e a gestante é grupo prioritário na SBIm e no Ministério da Saúde.

A gravidez muda o funcionamento do sistema imunológico e a mecânica da respiração, o que aumenta o risco de complicação quando a gripe aparece. E, de novo, tem o efeito no bebê: ele só pode tomar a própria vacina a partir dos 6 meses, então os anticorpos da mãe são a única defesa dele até lá.

Em Manaus tem um detalhe local: a campanha de gripe na Região Norte começa antes do resto do país, entre novembro e fevereiro, acompanhando a sazonalidade daqui, e a vacina usada segue a formulação do Hemisfério Norte. Ou seja, o calendário da gestante manauara não é o mesmo do Sul e do Sudeste. Não vale esperar estação: se você está grávida e não tomou a dose da temporada, é dose em atraso. A vacina também é indicada pra puérpera, até 45 dias após o parto.

A vacina do VSR na gravidez protege o bebê?

Protege, e essa é exatamente a função dela. O VSR é o vírus que mais causa bronquiolite em bebês, e a vacina na gestante passa anticorpos ao recém-nascido antes que ele encontre o vírus pela primeira vez.

O esquema é dose única, repetida em cada gestação. A SBIm recomenda a aplicação a partir da 28ª semana, a qualquer momento do ano, sem depender de sazonalidade e sem limite superior de idade gestacional. A Anvisa licencia a vacina de 24 a 36 semanas, ficando a critério médico o uso entre a 24ª e a 27ª, e a recomendação de calendário é mais ampla que a bula. Quanto mais cedo depois das 28 semanas, melhor, mas quem já passou das 36 ainda pode tomar. A única situação em que a dose não se aplica é o trabalho de parto ativo.

Existem duas vias de proteção contra o VSR e elas não se somam obrigatoriamente: a vacina na gestante ou o anticorpo monoclonal aplicado no bebê após o nascimento. Quem define é o obstetra junto com o pediatra. As duas rotas estão no artigo sobre como proteger o bebê da bronquiolite.

Quando tomar a vacina da hepatite B na gestação?

A hepatite B pode ser aplicada em qualquer idade gestacional, assim que se identifica que o esquema está incompleto ou sem registro.

O esquema completo são três doses, no intervalo 0, 1 e 6 meses. E vale a regra geral da vacinação: dose dada é dose contada. Quem já tomou uma ou duas doses apenas completa o que falta, não recomeça. Se a sua caderneta está confusa ou incompleta, veja como funciona a recuperação no artigo sobre vacinas em atraso.

A vacina importa porque o vírus pode ser transmitido da mãe pro bebê, principalmente no parto. Além da dose na gestante, o recém-nascido recebe a primeira dose na maternidade, preferencialmente nas primeiras 12 horas de vida.

Quais vacinas são contraindicadas na gravidez?

A regra prática é simples: vacinas de vírus vivo atenuado não são aplicadas na gestação. As principais:

  • Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola).
  • Varicela (catapora).
  • Febre amarela, contraindicada de rotina e liberada apenas em caso de risco elevado de exposição, avaliado individualmente.
  • Dengue, não indicada na gestação e também contraindicada pra quem está amamentando bebê de até 6 meses.

Essa ressalva pesa mais por aqui: o Amazonas é área com recomendação de vacinação contra febre amarela, então a decisão numa gestante em risco real de exposição é sempre médica.

Duas observações que evitam confusão. O HPV não é vacina de vírus vivo, mas também não é aplicada na gravidez: quem engravida no meio do esquema completa as doses depois do parto. E o que fica suspenso na gestação, como tríplice viral e varicela, geralmente pode ser feito no puerpério, inclusive amamentando. A exceção é a febre amarela, adiada em lactantes até o bebê completar 6 meses.

Como montar o plano vacinal com o obstetra

Nenhuma gestação é igual à outra, então o calendário serve de mapa, não de receita. Leve a caderneta nas consultas de pré-natal e monte o plano junto com o obstetra: o que já está em dia, o que falta e em que semana cada dose entra.

Antes da consulta, o calendário de vacinação completo mostra as vacinas por faixa etária e as doses de adulto que ficaram pra trás.

Onde se vacinar na gestação em Manaus

Na clínica da Vacinar o atendimento é porta aberta, por ordem de chegada, sem marcar horário. Se a gravidez estiver mais avançada ou você preferir evitar deslocamento, dá pra vacinar em casa, com hora marcada, com a nossa equipe de enfermagem.

O primeiro passo resolve a maior parte das dúvidas: mande uma foto da caderneta e do cartão do pré-natal pelo WhatsApp, que a equipe confere dose a dose e diz o que está pendente. A disponibilidade de cada vacina varia semana a semana, então confirme conosco antes de vir, que a gente orienta com calma.

Fontes: Calendários de vacinação SBIm 2026/2027 · Vacinas VSR · Família SBIm · Calendário Nacional de Vacinação · Ministério da Saúde

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação individual de um profissional de saúde. O plano vacinal da gestação deve ser definido no pré-natal, junto com o seu obstetra.

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